Brasil 70: A Saga do Tri

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<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Assistir a </span><strong><i>Brasil 70: A Saga do Tri</i></strong><span style="font-weight: 400;"> depois da eliminação da seleção em mais uma Copa pode parecer um programa para masoquistas. Mas o pior é terminar os cinco capítulos com aquela sensação de que várias oportunidades foram desperdiçadas, assim como na dolorosa derrota para a Noruega.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Produções sobre futebol de modo geral esbarram no desafio de reproduzir com fidelidade o que acontece dentro de campo. Agora imagine tentar mostrar na tela o que fizeram Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino e companhia?</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">É aí que </span><i><span style="font-weight: 400;">Brasil 70: A Saga do Tri</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva o primeiro gol. Por mais bem ensaiadas que sejam, as cenas dos jogos não se saem mais realistas do que um episódio de Super Campeões, o clássico anime que passava na TV Manchete.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Se a intenção era reproduzir os jogos lance a lance, por que deixar justamente de fora gols importantes, como os de Tostão? A escolha enfraquece tanto a narrativa quanto um dos personagens centrais — da Copa e da série.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">As partidas convencem pouco, mas pelo menos o time da reconstrução de época jogou afinado. O design de produção impressiona, e o elenco se parece muito com os jogadores reais.</span></p>


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<h2 class="wp-block-heading">Que Pelé é esse?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Como a recriação das partidas já era uma missão quase impossível, </span><i><span style="font-weight: 400;">Brasil 70: A Saga do Tri </span></i><span style="font-weight: 400;">deveria compensar nas cenas dos bastidores da conquista. Mas não é isso o que acontece.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Quer dizer, até vemos alguns relances de boas jogadas, mas na maior parte do tempo o roteiro não consegue sair do zero a zero.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Eu iria além: já que estamos em uma ficção, por que não ousar? Transformar o famoso drible de Pelé sobre Mazurkiewicz em gol talvez fosse uma licença poética mais interessante do que insistir numa reprodução imperfeita da realidade.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Antes uma mentira mágica do que escolhas controversas como a de apresentar um Pelé “com crise de identidade”. Sim, havia um certo clima de desconfiança sobre o Rei antes da Copa, e a série explora bem essa parte.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Só que depois da atuação monstruosa na estreia contra a Tchecoslováquia, deviam ter reduzido a marcação sobre o nosso camisa dez. A insistência em prolongar o conflito tira espaço justamente daquilo que torna Pelé fascinante: o futebol.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Em vez de retratar o Rei como um eterno inseguro, o roteiro poderia valer-se de sua estrela para amarrar melhor outro ponto que ficou meio frouxo: a dimensão política.</span></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://a.co/d/0i1bLs0H" target="_blank" rel="noopener">Leia meu livro do &#8220;tri&#8221;: Trinta e Nada</a></li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading">Batalha de treinadores</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Nesse quesito, as poucas cenas que funcionam de verdade são aquelas com João Saldanha. Por falar nele, a atuação de Rodrigo Santoro é um dos pontos altos da saga do tri.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a série talvez funcionasse melhor se assumisse uma escala menor. Em vez de tentar reproduzir dentro de campo o melhor futebol da história, poderia concentrar seus esforços nos técnicos que levaram o Brasil à conquista. A troca do treinador às vésperas da Copa por Zagallo, com suas ideias novas e superstições antigas, rende algumas das melhores passagens.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Essa escolha pouparia o espectador de pelo menos um episódio com sequências desnecessárias, incluindo a do casal de torcedores que vai ao México assistir aos jogos.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, <em>Brasil 70: A Saga do Tri</em> também acaba eliminada. Mira a melhor seleção de todos os tempos, mas entrega um futebol que lembra mais um time de Carlo Ancelotti.</span>
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</p>



<h3 class="wp-block-heading"><span style="font-weight: 400;">Ficha técnica: Brasil 70: A Saga do Tri</span></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="font-weight: 400;">Direção: Paulo Morelli, Pedro Morelli e Quico Meirelles</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Elenco: Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Lucas Agrícola</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Ano de lançamento: 2026</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">País: Brasil</span></li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><span style="font-weight: 400;">Classificação: Brasil 70: A Saga do Tri:</span></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="font-weight: 400;">Direção: 3</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Roteiro: 2</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Atuações: 3</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Música: 3</span></li>



<li><span style="font-weight: 400;">Fotografia: 3</span></li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><span style="font-weight: 400;">Nota final</span><span style="font-weight: 400;">: 2,8 ou “D”</span></h3>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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